transporte de grãosAna Brito / Rural Centro

Começamos o ano totalmente otimistas, com previsão de colheita recorde, cuja expectativa era ultrapassar 82 milhões de toneladas. O clima ajudou e o produtor, mais experiente e investindo em tecnologia, também colaborou. O resultado, ao que tudo indica, foi dentro do esperado. O que não imaginávamos era que um caos logístico afetasse os embarques da oleaginosa a outros países. Não imaginávamos?

Deparamos-nos com motoristas que levam quatro dias para percorrer um transcurso que antes era feito na metade do tempo e acompanhamos a recente greve dos trabalhadores portuários. O caos logístico não tem nada de novo.

Muitos representantes, especialistas e economistas falam a todo o momento que era uma tragédia anunciada. Mais que anunciada, era prevista há mais de cinco anos e, como o governo fez novamente vistas grossas, o problema acumulou e, para 2013, a solução está descartada. Aliás, solução a curto prazo está fora de questão.

Em relação às condições das estradas, aqui mesmo na Rural Centro o colunista Daniel de Paula já afirmava em fevereiro no seu artigo Os grãos no buraco que as péssimas condições das rodovias resultavam ao setor um prejuízo de 14 bilhões de reais, conforme reconheceu a própria Confederação Nacional de Transportes.

É neste clima de preocupação, mas também de expectativa, que a equipe de jornalismo da Rural Centro retoma o balanço do mercado da soja.

O objetivo é que o produtor veja em uma única página as últimas atualizações dos principais relatórios do setor e, com isso, encontre bases para tomadas de decisões ao fechar as negociações. O balanço será apresentado mensalmente.

Navegue nesta página:

Caos logístico Secex Conab USDA Preço físico Mercado futuro (CBOT e BM&F Bovespa)


Caos Logístico
Acompanhando diariamente as informações da mídia, a impressão que temos é que de uma hora para a outra o Brasil parou! As estradas formam filas quilométricas e o porto esteve parado há até pouco tempo. A resposta para a situação não demorou. Em meados de março, a exportação de soja para a China (2 milhões de toneladas), mercado cobiçado pelo mundo inteiro, foi cancelada pelo atraso na entrega.

Logística dos grãos Entretanto, os problemas tanto nas estradas como nos portos não são atuais e não é verídico afirmar que fomos pegos de surpresa. No site AlfaFNM, que representa a Fábrica Nacional de Motores, podemos ver uma fila também imensa formada em 1978.

No MS, a situação é alarmante. Em 2012, 75% da soja foram embarcados pelos portos de Santos e Paranaguá. Sem poder levar a outros países a oleaginosa, parte da produção pode ficar no Estado e, com isso, gerar excesso de oferta e fazer com que o preço caia de forma significativa. O presidente da Associação dos Produtores de Soja do estado (Aprosoja MS), Almir Dalpasquale, demonstra preocupação com este prejuízo. “Em março iniciaram os embarques da soja. Se não houver liberação dos navios que estão ancorados, haverá impacto também na safra do milho”, avisa. “É uma pena chegarmos nesse nível após tantos anos alertando quanto aos problemas de logística. É uma perda para a nação, não só para os produtores”, lamenta Dalpasquale.

Um estudo da CNA mostrou que a baixa eficiência dos portos e dos procedimentos alfandegários do Brasil coloca o país na 130ª posição em qualidade de portos. A última medida anunciada, Medida Provisória 595, propõe a abertura dos portos brasileiros ao capital privado, o que gerou polêmicas e já despertou o interesse de 15 empresas até a última terça-feira (26), como informou a senadora Kátia Abreu.

Veja algumas matérias que repercutiram o assunto nos últimos dias:
MP dos Portos: Aprovação é fundamental para a competitividade do agro
Produtores pedem melhoria da infraestrutura para escoar safra
Apagão logístico ameaça economia brasileira
Grãos: Supersafra congestiona Porto de Santos

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Secex
Exportação de soja no Brasil

Dados consolidados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que no primeiro bimestre deste ano, as exportações de soja do Brasil acumularam 959 mil toneladas, volume 62,8% menor que as 2,58 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2012. Entretanto, muito acima dos patamares de 2011 (433 mil toneladas) e de 2010 (756, 8 mil toneladas).

Dois fatores justificam a queda deste ano em relação ao ano passado. O primeiro é que 2012 foi um ano excepcional para o setor, quando o aquecimento da demanda superou todas as expectativas. O segundo foi o fraco movimento no mês de janeiro, quando os embarques brasileiros, praticamente inativos, totalizaram apenas 284  toneladas.

Nos primeiros dois meses deste ano, cada tonelada de soja foi exportada a US$ 538, rendendo um faturamento de 516 milhões de dólares.

Dados preliminares lançados nesta última segunda-feira (25) pela entidade revelam que em março deste ano as vendas externas de soja ficaram em 1,51 bilhão de dólares, com total de 2,797 milhões de toneladas. Veja aqui.

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Conab

Conab soja: março de 2013

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirma que na safra 2012/2013 a produção de soja do Brasil será de 82 milhões de toneladas (lembrando que na maioria das praças produtoras os grãos já foram praticamente todos colhidos).

Segundo o último relatório da instituição, a produção atingirá uma alta de 23,6% em relação ao ano comercial anterior, quando foram colhidas 66,4 milhões de toneladas.

Com a colaboração do clima, o produtor conseguiu colher mais por hectare este ano, com elevação de 12% em relação à safra anterior. A produtividade da soja no Brasil  terá uma média de 2.968 quilos por hectare. De acordo com a Conab, a área totalizou 27,6 milhões de hectares.

Mato Grosso é maior produtor de soja no Brasil, com ampliação de 10,6% na colheita da safra 2012/13, podendo somar 24,2 milhões de toneladas. Os paranaenses, segundo lugar no ranking nacional, poderão colher ao todo 15,4 milhões de toneladas.

Rio Grande do Sul, recuperando-se da seca do ano passado, ampliará a produção em 87%, com colheita estimada em 12,2 milhões de toneladas. GO e MS ocupam a quarta e quinta posições, respectivamente, com colheita de 8,9 e 5,7 milhões de toneladas. Veja mais detalhes aqui.

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Soja USDA
As últimas informações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) revelam que o mundo produzirá 269,5 milhões de toneladas de soja. Deste total, 83,5 milhões serão provenientes do Brasil, o maior produtor mundial da oleaginosa.

Os Estados Unidos são os segundo maior produtor do setor, com 82,06 milhões de toneladas. A Argentina, na terceira posição, deverá produzir, se as condições meteorológicas colaborarem, 53 milhões de toneladas.

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Mercado futuro
O preço da soja na BM&F Bovespa encerrou o pregão desta última sexta-feira com queda acentuada de 2,04%, com a saca de 60 quilos cotada a US$ 30,3.

Bolsa de Chicago Soja: preços também anotaram resultado negativo, com o mais curto prazo valorizando 0,41%, operando na casa dos US$ 14,05/bushel.

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Preço Físico
O preço da soja em São Gabriel do Oeste, no interior do Estado de Mato Grosso do Sul, contabilizou queda de 2% ao longo deste mês de março, saindo de R$ 51 para R$ 50, com redução de 1 real em cada saca negociada.

Do mesmo modo, em março, a saca da soja caiu um real no município de Sorriso, no MT, saindo de R$ 47 para R$ 46.

Produtores de MT cobram melhorias urgentes na logística brasileira

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