10 tecnologias digitais que estão transformando a agricultura
01 May 2022
Descrita como a indústria menos digitalizada do mundo pelos analistas da McKinsey (de acordo com as últimas análises da consultoria), os produtores de alimentos do mundo podem concordar que a agropecuária tem lutado para aproveitar os avanços tecnológicos que transformaram outras indústrias.
Uber revolucionou o transporte, Netflix os filmes, Airbnb o negócio de hotéis, movimentadores de dinheiro online que não possuem dinheiro agora dominam os bancos e compramos aplicativos de empresas que não os fabricam. No entanto, a agropecuária parece ter mudado pouco nos 10 mil anos desde que os primeiros animais foram domesticados e muitos acreditam que isso mudará pouco nas próximas décadas.
No entanto, essa visão é míope e não reconhece o grau de disrupção que já está ocorrendo na agricultura. Sean Moffitt, diretor administrativo da Futureproofing, listou as 30 novas tecnologias que atualmente estão recebendo os maiores investimentos em dólares e que as indústrias precisarão para se preparar para o futuro na próxima década. Aqui estão as 10 tecnologias digitais dessa lista, entre as mais relevantes para agricultura e pecuária.
1 – RobóticaAqueles que associam a agropecuária com a vida bucólica no campo podem não perceber que a nova geração de trabalhadores rurais não quer colher frutas, pegar animais ou fazer muitas das tarefas árduas comuns associadas à lida no campo.Robôs agora ordenham vacas, colhem morangos e desmontam carcaças em unidades de processamento de proteína animal. A robótica na agropecuária representa um mercado global de mais de US$ 5 bilhões (R$ 24,86 bilhões) e deve dobrar nos próximos cinco anos.2 – Internet das coisas (IoT) e sensoresA capacidade de rastrear produtos e animais vivos, detectar problemas de saúde e avaliar o ambiente dentro da fazenda ou a absorção de umidade do solo em tempo real é de grande valor para enfrentar os principais desafios de clima/sustentabilidade, bem-estar animal e rastreamento na cadeia de abastecimento alimentar.A explosão de dispositivos IoT em outros setores (46 bilhões de dispositivos conectados) pode ser insignificante em comparação com as oportunidades representadas na agricultura, que já é um mercado de US$ 11,4 bilhões (R$ 56,69 bilhões).3 – Inteligência Artificial (IA)Muitas carreiras em alimentos e agricultura dependem de aprender fazendo, em vez de transferência explícita de conhecimento. Isso cria desafios reais, como evitar erros humanos, mal-entendidos e vieses cognitivos.A IA pode parecer uma sentença de morte para extensionistas, consultores e especialistas profissionais, mas, mais provavelmente, mudará a função dessas profissões.Dados mais precisos estarão disponíveis mais rapidamente, mas ainda precisarão de interpretação. Como exemplo, considere como a IA mudou o setor de saúde: os empregos foram alterados, mas não substituídos.4 – Impressoras 3DA capacidade das impressoras 3D de consertar máquinas, imprimir alimentos ou até mesmo fazer uma prótese para um animal de genética melhoradora oferece uma clara vantagem para fazendas em todo o mundo.É ainda mais claro em tempos de cadeias de suprimentos interrompidas (por exemplo, por causa da Covid-19) ou em regiões do mundo com seus próprios desafios de distribuição (por exemplo, a África). A impressão 3D na fazenda e na cadeia de suprimentos de alimentos cria eficiências e economias reais.5 – DronesJá monitorando 20 milhões de hectares de plantações de algodão na China, a capacidade dos drones de ir onde os humanos não podem e ver coisas que não são facilmente observadas do chão cria insights reais sobre proteção contra pragas, aplicação de fertilizantes e herbicidas, irrigação e época de colheita.6 – Realidade estendida e o metaversoA XR (realidade estendida) tem potencial, pois a visão humana é limitada à luz visível, e o XR pode nos permitir ver um espectro mais amplo. Isso pode ser valioso no manejo de culturas, animais e produção de alimentos e tem potencial para melhorar as práticas de saúde e segurança alimentar.7 – Realidade Virtual (RV)A capacidade da RV de ensinar os alunos de ciências agrárias sobre o funcionamento interno dos animais (sem vivissecção) e como as plantas crescem – ou simplesmente poder visitar fazendas – é uma oportunidade extraordinária para estudantes e consumidores se envolverem com criações e também lavouras.Exemplos de sucesso incluem o uso de VR na Universidade de Glasgow para vacas, a indústria avícola australiana, suinocultores da Carolina do Norte e até mesmo consumidores do McDonald’s no Reino Unido.8 – BlockchainTanto a tecnologia mais empolgante quanto a mais incompreendida (usando a mesma tecnologia do Bitcoin), o blockchain pode criar transparência em um setor que muitas vezes não consegue capturar a confiança do consumidor.Blockchain representa uma oportunidade para a indústria de alimentos recuperar terreno. Por exemplo, as empresas canadenses da cadeia de suprimentos de cerveja, a cadeia global de alimentos do Walmart e a FDA ( Food and Drug Administration), a agência de saúde dos EUA, veem o blockchain como uma ferramenta para abordar as preocupações dos consumidores sobre origem e segurança alimentar.9 – Análise de dadosO mundo armazenará 175 zettabytes de dados até 2025. Os dados são frequentemente descritos como o “novo petróleo”, o que é irônico, pois muitos países ricos em petróleo não necessariamente se tornaram ricos como resultado.Supõe-se que a futura captura, controle (ou proteção) e processamento de dados justificará as altas avaliações das agtechs. Acreditar que os dados serão os salvadores da agropecuária é um sonho, mas o poder da análise de dados pode liberar novos insights significativos para agricultores e pecuaristas.10 – Conectividade em nuvemOs serviços de computação baseados em nuvem usam conexões em tempo real com a internet para oferecer recursos mais flexíveis e economia do que os disponíveis com opções convencionais baseadas em servidor ou até mesmo de computação de borda.O requisito de conectividade – especialmente o 5G – representa um desafio genuíno quando muitas fazendas ainda não possuem qualquer conexão. Os governos entendem que, para revolucionar a agropecuária, é essencial abordar a conectividade. Sem ela, a divisão rural-urbana será exacerbada.
As consequências de deixar a agropecuária não digitalizada são gritantes. Se o mundo precisa enfrentar realisticamente uma cadeia alimentar transformada, entregando o que os consumidores dizem que querem (sustentabilidade e alimentos favoráveis ao bem-estar, abundantes e acessíveis), isso não poderá ser alcançado sem a disrupção digital.
A fazenda imaginária de nossos livros de histórias infantis mascarava os muitos problemas da vida no campo, desde o trabalho fisicamente exaustivo até o controle e a compreensão limitados dos processos naturais da saúde animal e do clima, bem como o isolamento da atividade. A transformação tecnológica oferece a possibilidade de que aqueles que atuam nos setores agrícola e pecuário possam ter bolo, pão, carne e leite – e comê-los também!
Fonte: Forbes