Acrimat avalia 2021 e projeta preços menos voláteis e mais abate de fêmeas em 2022
23 Jan 2022
Apesar dos custos de produção em alta, 2021 foi um ano de margens mais atrativas para o pecuarista, visto que as cotações alcançaram preços recordes da série histórica.
Maior produtor da pecuária de corte brasileira, Mato Grosso movimentou R$ 27,33 bilhões com a carne bovina no ano passado, um incremento de R$ 2,21 bilhões no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Estado quando comparado ao ano anterior, de acordo com os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Ribeiro Júnior, esse resultado representa os investimentos no setor, com o produtor cada vez mais tecnológico.
Os números só não foram maiores porque os custos de produção foram elevados para todos os sistemas – cria, recria-engorda e ciclo completo – o que impactou no volume comercializado. “Os principais indicadores que influenciaram para esse aumento foram os dispêndios com a suplementação animal e com a aquisição de animais, uma vez que os preços tanto do milho, como do bezerro alcançaram patamares recordes”, expõe Ribeiro.
Considerando o acumulado de janeiro a setembro de 2021 ante ao mesmo período de 2020, Ribeiro afirma que a produção no Mato Grosso reduziu aproximadamente 12%, consequência essa do abate dos bovinos que diminuíram cerca de 14% no total, sendo que as fêmeas foram responsáveis pelo recuo de cerca de 19%.
Em relação aos preços praticados no decorrer do ano passado, a média de 2021 fechou com a arroba do boi gordo em R$ 288,70 em Mato Grosso. No comparativo anual houve um acréscimo de 31%. Já as fêmeas ficaram na média de R$ 277,39/@, o que representa um acréscimo de 47% no mesmo comparativo.
Demanda interna
Tudo ficou mais caro em 2021. E com o custo de produção e de transporte atrelado à crescente demanda internacional por proteína animal, o preço da carne bovina no país acumula alta acima de 16% nos últimos 12 meses, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor, aumento que diminui cada vez mais o poder de compra da população.
De modo geral, Ribeiro afirma que a demanda interna se comportou de forma mais tímida no decorrer do ano, uma vez que o consumidor final não absorveu os preços elevados da carne bovina do varejo. No entanto, no último bimestre do ano houve um aquecimento no consumo interno pautado, principalmente, pelas festas de fim de ano, situação que é comum de ocorrer no período.
Demanda externa
Já com relação a demanda externa, as exportações seguiram em elevados patamares até setembro de 2021, contudo com a saída da China, os volumes caíram pela metade. Mato Grosso exportou em 2021 o volume de 2,01 milhões de toneladas em equivalente por carcaça no acumulado de janeiro a novembro. Esse resultado é 8,64% menor que o observado em 2020, em que o volume embarcado pelo Estado foi de 2,20 milhões de toneladas em equivalente por carcaça.
Cenário internacional
Nos primeiros onze meses do ano passado, entre os 20 maiores compradores da carne bovina brasileira, a China manteve a liderança ao importar para o continente 928,8 mil toneladas, 54% do total movimentado pelo país. O segundo maior detentor são os Estados Unidos, que movimentaram até novembro 117,8 mil toneladas ante as 54,3 mil toneladas do ano anterior, o que representa um aumento de 116,6%.
Na terceira posição está o Chile, que no acumulado do ano aumentou sua demanda em 21,3%, ampliando suas aquisições para 99,1 mil toneladas no ano passado frente as 81,6 mil toneladas do ano anterior. Em seguida, com 55,3 mil toneladas importadas aparece o Egito, que comparado com o ano anterior reduziu suas compras em 54,9%.
Com crescimento de 16,7%, os Emirados Árabes ocupam o quinto lugar, aumentando sua demanda de 38,1 mil toneladas em 2020 para 44,5 mil toneladas no ano passado. Fecha as seis primeiras posições as Filipinas, que também ampliou suas compras em 16,5%, passando de 36,6 mil toneladas em 2020 para 40,5 mil toneladas em 2021. Em torno de 95 países elevaram suas compras enquanto outros 75 apresentaram redução em suas aquisições.
Lição de 2021
Apesar dos custos de produção em alta, 2021 foi um ano de margens mais atrativas para o pecuarista, visto que as cotações alcançaram preços recordes da série histórica. Mas, segundo Ribeiro, o cenário vivenciado com o embargo chinês, principal destino da carne bovina brasileira, deixou uma grande lição. “O ano de 2021 nos mostrou a necessidade de travamento dos preços como uma garantia de margens boas, uma vez que, diante dos eventos inesperados da China, muitos produtores ficaram no vermelho e não tiveram um planejamento eficaz para lidar com a situação”, avalia Ribeiro.
Para o presidente da Acrimat, os principais desafios se encontraram na aquisição de animais e nos custos com a suplementação, salientando que aqueles que não realizaram o travamento de preços amargaram margens estreitas quando a arroba caiu no Estado mato-grossense em virtude da saída em setembro do mercado chinês, que detém atualmente cerca de 40% de todas as suas importações da proteína no Brasil.
Dentre as oportunidades vislumbradas em 2021, Ribeiro destaca que o ano foi propício para o pecuarista que atua no sistema de cria e recria-engorda. “O preço dos animais de reposição alcançou números satisfatórios. Além disso, para quem realizou o confinamento e fez o travamento de preços, também desfrutou de bons resultados em alguns momentos com a venda no programa do boi gordo”, explica.
Perspectivas
De acordo com o presidente da Acrimat, para esse ano é esperado um mercado com menor volatilidade nos preços do que os que ocorreram em 2021, com o cenário se baseando em oferta e demanda. “No entanto, com a China em cena novamente pode ser que os preços apresentem incrementos relevantes”, pontua.
Do lado da oferta, é aguardado um início de virada de ciclo, com uma leve alta no abate de fêmeas, já que o ano passado foi marcado pela elevada retenção. Além disso, espera-se um arrefecimento dos custos com aquisição de animais, visto que os preços da reposição começaram a recuar.
Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.
Fonte: O Presente Rural