Criação de gado de corte: saiba tudo
27 Apr 2022
Gado de corte faz referência à criação de ovinos, caprinos e bovinos e que tem por objetivo a produção de carne. Embora as atividades de ovinocultura e caprinocultura sejam atividades importantes, a maior produção ainda é devida o aproveitamento do gado bovino.
A atividade da bovinocultura de corte é a mais convencional em todo o mundo. Ela é definida pela criação de bovinos com o objetivo de produzir carne e seus derivados.
A bovinocultura de corte tem várias características importantes, em que a fez se tornar a atividade única e responsável pela melhoria dos índices econômicos de diversos países. Além de ser uma fonte importante de proteína animal para a população.
Principais raças de gado de corte
Angus
A raça Aberdeen Angus é uma das mais conhecidas do Brasil, tendo grande destaque nos mercados de carne bovina nacional e internacional. A qualidade da carne é a principal responsável por esse reconhecimento, já que ela apresenta excelente habilidade para o marmoreio, além de uma cobertura de gordura espessa e uniforme.
Contudo, existem outros fatores que justificam o sucesso da raça na pecuária de corte. A alta fertilidade, a precocidade e a facilidade de parto asseguram um ótimo retorno financeiro aos produtores.
Nelore
O Nelore é uma raça bovina originária da Índia. Esses animais foram trazidos para o Brasil com o objetivo de melhorar o gado nativo e constituem a raça que mais recebe seleção, resultando em ótimos índices produtivos.
Calcula-se que cerca de 80% do rebanho nacional de corte seja composto por bovinos Nelore e anelorados, sendo a raça predominante nas fazendas da região central do país. Esses animais grandes alcançam bom desenvolvimento e são direcionados exclusivamente à produção de carne.
As fêmeas têm partos fáceis, e os bezerros, por sua vez, nascem fortes e sadios, o que faz com que a perda seja mínima. Ademais, as carcaças do Nelore podem alcançar 20 arrobas aos 26 meses, com rendimento de 50 a 55% em uma dieta de pastagens.
Brahman
O Brahman teve origem nos EUA e é resultado de cruzamentos entre importantes raças zebuínas, que tiveram início com um gado brasileiro predominantemente Guzerá, com participação de Gir e de Nelore. As seleções visavam ao desenvolvimento de animais tolerantes à umidade, ao calor, aos endo e ectoparasitas e a determinadas doenças.
Os cruzamentos das linhagens resultaram em uma raça de touro que herdou a qualidade da carne, a precocidade dos bezerros e a fácil adaptação ao clima tropical brasileiro, suportando bem as pastagens mais grosseiras. São animais que costumam dar ótimos rendimentos aos produtores, tanto na produção de carne quanto na reprodução..
Brangus
O Brangus é uma raça fruto dos cruzamentos entre Brahman e Aberdeen Angus, aprimorados simultaneamente nos EUA, no Brasil, na Austrália e na Argentina. As seleções tinham como objetivo aumentar a rusticidade das raças europeias e diminuir a vulnerabilidade a parasitas, com a contribuição das raças zebuínas.
Os Brangus também apresentam precocidade sexual, habilidades maternas e excelente acabamento de carcaça e marmorização da carne. São animais muito utilizados em confinamento, por se adaptarem bem e terem um elevado ganho de peso.
Guzerá
De origem indiana, Guzerá é outra raça de gado de corte que também tem aptidão para a produção leiteira. Foi a primeira raça zebuína introduzida no Brasil, em 1870, com o objetivo de arrastar pesadas carroças de café pelas íngremes colinas do Rio de Janeiro, além de fornecer carne e leite.
Na Índia, se desenvolveu em terras férteis de clima quente e úmido, mas hoje está distribuído em várias regiões brasileiras. Porém, destaca-se por ter sido a única raça que sobreviveu e produziu durante 5 anos consecutivos de seca na região Nordeste do Brasil (1978–1983), além de ter enfrentado outros períodos de seca histórica.
É a maior raça zebuína indiana, sendo que até mesmo os animais selecionados para a produção de leite têm porte avantajado. A precocidade, o bom rendimento da carcaça, a rusticidade e a habilidade materna são as principais características do Guzerá.
Tabapuã
O Tabapuã surgiu do cruzamento entre as raças Guzerá, Nelore e Gir e é conhecido como o “zebu brasileiro”. O nome faz referência ao local de origem da raça, no interior do estado de São Paulo. Entre as características mais marcantes do Tabapuã, estão a precocidade, a fácil fertilização e a docilidade.
É a primeira raça zebuína mocha, e o seu melhoramento genético tem critério econômico, já que animais mochos apresentam vantagens na estabulação e no transporte. Os criadores buscam desenvolver o rendimento da carcaça, o ganho de peso e a precocidade, em detrimento das características raciais, que são supervalorizadas em outros animais.
Manejo nas fases da criação de gado de corte
O ciclo de produção dos bovinos é criado através de três etapas que são a cria, recria e engorda. Confira abaixo algumas informações sobre cada uma delas.
1. Cria
Esta fase vai desde o melhoramento genético, crescimento do bezerro até a desmama, que acontece entre 6 a 8 meses de idade.
Primeiramente, para garantir o sucesso no processo de reprodução animal o criador deve possuir os melhores touros, vacas e novilhas. Isto é, todos em ótimas condições e na melhor idade para a reprodução. Assim, investir em programas de melhoramento genético para obter bezerros com características desejáveis.
Depois do nascimento, é preciso fazer o manejo correto dos bezerros. Existem dois cuidados importantíssimos durante este estágio: a mamada do colostro e a cura do umbigo. Estas duas práticas juntas chegam a ser responsáveis por até 70% da prevenção de doenças.
Os bezerros são frágeis e devem ter cuidados especiais para ficarem livres de enfermidades. Como por exemplo, a diarreia, uma das principais causadoras de perdas de animais.
De modo geral, o maior objetivo desta fase é fazer com que os bezerros vivam com saúde e ainda cheguem ao desmame com o maior peso possível. Entretanto, o ganho de peso pré-desmama é influenciado por alguns fatores, tais como: Nutrientes fornecidos; Habilidade materna da vaca e Potencial genético do bezerro.
2. Recria - Desenvolvimento
O principal objetivo desta fase é o desenvolvimento do animal para que ele possa expressar ao máximo o seu potencial genético. Isto é, se desenvolver com a estrutura e ganho de peso da raça, no menor tempo possível.
A fase da recria começa após o desmame dos bezerros. Em geral, é uma fase muito importante, pois caso o desenvolvimento não seja bem executado o processo de engorda ficará prejudicado. Ou seja, o bom desenvolvimento dos animais depende dos cuidados e da alimentação fornecida durante esta fase.
Se houver algum erro de manejo na fase do desenvolvimento, o processo de engorda poderá ficar comprometido. Afinal, o principal objetivo da recria é garantir ganhos elevados, bem como antecipar a próxima fase. Para que isso aconteça, pode-se investir na suplementação para a produção de uma arroba mais eficiente e econômica. Mas, é fundamental o controle da suplementação, garantindo consumo na dosagem correta e utilização do componente adequado, de acordo com a recomendação do técnico responsável.
3. Engorda - Terminação
A engorda, ou terminação como é conhecida, é a fase final da criação de gado de corte. Nesta etapa os bovinos são submetidos a uma alimentação específica para ganho de peso, para que produzam mais carne e de melhor qualidade.
Durante a terminação, deverá ser fornecida uma ração ou regime alimentar apropriado ao ganho de peso e para que a qualidade da carne seja a melhor possível, agregando todo o valor do trabalho desenvolvido nas duas fases anteriores.
Os rebanhos de engorda podem ser constituídos de animais adultos, novilhos de mais de dois anos, bezerros desmamados e garrotes. Mas do ponto de vista biológico, os animais na fase de engorda não possuem o crescimento tão eficiente como na cria e recria. Porque, na medida em que o animal se aproxima ao seu peso maduro, a intensidade de seu crescimento diminui.
Na engorda dos bezerros, a exigência alimentar é alta, pois eles têm de manter seu organismo, crescer e engordar. Por isso, o uso da suplementação alimentar, nesta fase, também pode viabilizar o abate de animais mais jovens, com carcaças de melhor qualidade, maior ganho de peso e deposição de gordura subcutânea.
A produção de carne com qualidade é um dos principais desafios de todos os pecuaristas, muitos avanços já foram alcançados devido ao aprimoramento das técnicas de melhoramento genético, manejo e nutrição do gado de corte. Essas técnicas tornaram os animais muito mais eficientes em converter os nutrientes recebidos via dieta em carne.
Fonte: Jéssica Andrade - Marketing Rural Centro