Melhoramento genético na agricultura

20 Apr 2022
O melhoramento genético na agricultura é uma técnica de milênios atrás. Porém, foi após importantes descobertas científicas realizadas a partir do século XX que ele ganhou status de ciência e possibilitou o lançamento de diversas cultivares melhoradas.
Nos dias atuais, sabemos de técnicas moleculares que nos permitem manipular os organismos de interesse de forma a desenvolver culturas com foco na sustentabilidade econômica, ambiental e social. Todavia, existe um longo caminho pela frente, incluindo um trabalho de conscientização da população sobre a segurança do consumo de alimentos geneticamente modificados.
Como é realizado o melhoramento genético?
Existem dois modos de se modificar uma planta com o melhoramento genético. O primeiro, é por meio de uma estufa. Esse processo foi descoberto no século 19 por Gregor Mendel e consiste em selecionar variedades macho e fêmea, gerando uma polinização artificial.
O segundo, é por meio da ciência e tecnologia. Com auxílio da engenharia genética, são extraídos do DNA das plantas e outros alimentos os genes que possuem as características desejadas, incluindo-as ao DNA da planta que ainda não se desenvolveu. Isso garante com que ela nasça com as condições pré-estabelecidas.
A importância do melhoramento genético de plantas
O grande objetivo de obter cultivares melhoradas é garantir a segurança alimentar, seja por produzir uma quantidade de alimentos suficiente para toda a população, seja por desenvolver culturas que necessitam de menos defensivos agrícolas para se manter.
No Brasil, muitas culturas importadas passaram por melhoramentos que as tornaram mais adaptadas às condições locais. A introdução de híbridos, por exemplo, foi responsável por dobrar a produtividade de milho em nosso país em meados da década de 40.
Outro exemplo importante para nossa economia está no melhoramento da cana-de-açúcar. As primeiras cultivares estabelecidas aqui também eram importadas, o que favoreceu a introdução de clones infectados por patógenos. O incentivo a programas de engenharia genética permitiu o desenvolvimento de cultivares resistentes a doenças e também mais produtivas, assegurando o setor de açúcar e álcool como estratégico para o Brasil.
Quais são os benefícios para as plantas?
De modo geral, o melhoramento genético de plantas é capaz de aumentar a produção de alimentos sem ampliar a área plantada, e assim atender a demanda de alimentos gerada pelo aumento da população.
Além disso, também pode proporcionar melhor adaptação às mudanças climáticas e a diferentes regiões de plantios. Entre as culturas mais beneficiadas estão a soja e o milho, veja abaixo.
Soja
Nos últimos anos, os sojicultores brasileiros foram beneficiados com diversos atributos agronômicos proporcionados pelo melhoramento genético como, por exemplo:
Melhoria na qualidade dos grãos;
Aumento do potencial produtivo;
Adaptação às condições ambientais;
Resistência às pragas;
Tolerância a herbicidas;
Tolerância à seca.
Vale destacar que esses benefícios foram possíveis graças ao engajamento de empresas públicas e privadas, as quais têm destinado os seus esforços para a pesquisa e inovação do melhoramento genético de soja.
Milho
Um dos motivos do Brasil ser o terceiro maior produtor de milho do mundo é o uso de tecnologias que permitiram a produção de híbridos de milho de alta performance.
Assim sendo, o melhoramento genético do milho caminha para o desenvolvimento de características que possibilitem:
Aumento de produtividade;
Tolerância à seca;
Eficiência na absorção do nitrogênio.
Vantagens
Graças à biotecnologia, as técnicas de melhoramento genético passaram a ser cada vez mais eficazes, rápidas e significativas. Hoje é possível a produção de produtos muito mais saborosos, nutritivos, com maior facilidade de reprodução e um nível de produtividade elevado. Veja abaixo algumas das vantagens.
Sabor mais apurado nos alimentos;
Espécies livres de sementes e tempo de maturação;
Maior durabilidade;
Preservação do meio ambiente (menor utilização de água, menos combustível para pulverizadores e menor risco de contaminação);
Melhor qualidade nutricional;
Maior capacidade de autofecundação das plantas;
Tolerância maior à doenças e pragas;
Maior descendência das plantas.
Riscos ee desvantagens
Aumento de reações alérgicas;
As plantas que não sofreram modificação genética podem ser eliminadas pelo processo de seleção natural, pois, as melhoradas possuem maior resistência às pragas e pesticidas;
Aumento da resistência aos pesticidas, gerando maior consumo deste tipo de produto; apesar de eliminar pragas prejudiciais à plantação, o cultivo de plantas modificadas pode, também, matar populações benéficas como abelhas, minhocas e outros animais e espécies de plantas.
Vimos nesta matéria o quanto o melhoramento genético na agricultura é importante. Saber investir em sementes melhoradas significa preocupação tanto com a saúde humana quanto com a economia do produtor e do país.
Fonte: Jéssica Andrade - Marketing Rural Centro