Mudanças climáticas põem em risco a oferta global de café

14 Jul 2017

As mudanças climáticas põem em risco a produção mundial de café, que nos últimos anos ficou abaixo da demanda, disseram especialistas e autoridades em conferência na Colômbia, advertindo para o fato de nenhum país estar preparado para enfrentar o problema.
 
"Todo mundo vai ser afetado. O café é muito sensível a variações pequenas de temperatura. À medida que sobe, todos são afetados" disse à AFP o brasileiro José Sette, diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), que reúne 43 países exportadores e sete importadores. 
 
A quantidade de terras para o cultivo de café pode ser reduzida à metade em 2050 graças ao aumento da temperatura que, além disso, estimula a proliferação de pragas e doenças nas plantas, segundo um informe de 2016 do Instituto de Climatologia da Austrália. 
 
A OIC alerta para o desequilíbrio entre produção e consumo nos últimos dois anos. Entre outubro de 2015 e setembro de 2016, 151,3 milhões de sacos de 60 kg de café foram consumidos. O déficit de 3,3 milhões de sacos foi reposto com a sobreprodução de anos anteriores. 
 
Desde 2012, o consumo do grão tem um crescimento anual médio de 1,3%, completou. Com uma produção reduzida, a demanda mundial poderia não ser suprida, explicou à AFP Roberto Vélez, gerente da Federação Nacional de Cafeteiros (FNC) da Colômbia, principal produtor de café de qualidade e terceiro maior produtor mundial do grão.
  
Adaptação e mitigação
O negócio do café sustenta 25 milhões de famílias em 60 países e representa um mercado que movimenta cerca de 100 trilhões de dólares no mundo, segundo dados da OIC do primeiro semestre de 2017. A resposta dos produtores para enfrentar as mudanças climáticas se baseia em dois pilares: adaptação e mitigação, apontou Sette. 
 
Para o executivo, o primeiro ponto inclui toda a sociedade e as nações não cafeicultoras, por isso é fundamental a redução das emissões de carbono. Quanto à mitigação, as soluções passam por mudar o local de plantio, juntar as plantações de café a outras que lhes deem sombra, criar variedades mais resistentes e aumentar a produtividade por hectare. 
 
Os especialistas reunidos no Fórum identificaram como um dos principais desafios do setor a sustentabilidade dos produtores, que também são afetados pelas perdas na semeadura e o aumento dos custos de insumos. O economista americano Jeffrey Sachs disse que os ganhos dos produtores caíram dois terços desde o começo do século XX. 

Fonte: Correio Braziliense



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